Da “Gay Pride” para outras reflexões…

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Posso fotografar tudo, ou quase.

Quando me perguntam que tipo de fotografia faço não sei nunca o que responder. Qualquer tema pode ser um novo desafio. De qualquer coisa a possibilidade de realizar uma imagem pode surgir.

Começando, instala-se o “bichinho” do trabalhar para conseguir um resultado que valha.

Mesmo naqueles trabalhos que à partida podem parecer “chatos” e não apetecerem em particular, o desafio do “fazer bem” abre caminho e toma conta.

Esse é um dos gozos particulares deste ofício nunca aprendido por completo, em que fotografar novas coisas faz aprender coisas novas também.

Fotografar uma “Gay Pride” já estava em planos para Lisboa, para Madrid. Acabou por acontecer na Cidade do México.

Pela curiosidade do espectáculo, pelo vício de fazer novas imagens, por ser mais uma experiência a juntar ao arquivo “vida”.

Um trabalho difícil no meio de imensa multidão em movimento, a precisar de ser rápido, ver depressa onde pode estar a imagem interessante, reagir ao segundo, falhar muitas que poderiam ter sido boas.

Divertido ver como aquele “orgulho gay” se exibe, se assume, se impõe, e se faz aceitar hoje de forma totalmente pacífica.

Mais tarde, ao ver as imagens que fiz, ao lembrar-me também do único livro que comprei neste viajar, porque livros pesam na bagagem e a solução é ler, abandonar para outros, e não ter biblioteca, relembrei aquilo que já muitas vezes discuti entre amigos. Continue reading

Um “Negócio da China” no México!…

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Lá para trás, noutros “posts”, falei de imaginação, de tirar partido do pouco quando não se tem muito.

Uma das minhas primeiras impressões, ao começar a despertar e viver os dias por aqui, liga-se exactamente com isso.

Delas ficará sempre a ideia de um movimento constante, de um aproveitar a coisa mais simples, e às vezes menos óbvia para nós europeus, para fazer dinheiro. Da forma como publicitam tudo isso sem que a estética seja preocupação.

A mensagem a passar é a prioridade. Continue reading

O “Efeito Bang Bang”

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Do filme "The Bang Bang Club"

Do filme “The Bang Bang Club”

Não sei porquê mas, desde que me recordo, que associo coisas em pensamento, ideias, números, títulos para hipotéticos livros, da forma mais inesperada ou disparatada. Não sou caso único obviamente.

Este “post” é apenas mais uma consequência desse lado do “eu”.

Começa com a primeira foto dos putos, comigo, em Paris 1972.

Quando a publico pela primeira vez no “Facebook” pedem-me para contar a história.

Tempos depois vejo o filme “The Bang Bang Club”, uma história de fotógrafos de guerra. Continue reading

To Be or Not!…

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Noite de 26/07/2014

Um tipo anda na rua, sózinho, caminha, vê e … pensa.

Hoje regressava a casa, depois de jantar, já com muitos quilómetros de caminhada em cima, o que nesta cidade é fácil sem nos darmos quase conta.

Tinha uma sessão de fotos de uma tarde inteira em cima para a série “As Fotógrafas”, daquelas de que toda a malta pensa que é a “santa vida do fotografo” e se fazem sem “suar”, e acumulara mais umas dezenas de imagens no percurso, porque os motivos para elas sobejam.

Na minha rua, já deserta, vem-me de repente à ideia esta fotografia de uma capa da SÁBADO, que tinha feito para os meus “diários”, não sei exactamente quando.

A frase do Miguel Sousa Tavares que servia de título “falou” comigo na altura e registei a imagem.

E hoje, com o dia a terminar, apeteceu-me escrever sobre ela. Continue reading

As “Contas Furadas” da “Pedra Furada”…

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Estou no México, mas Portugal continua a “rodar” por aqui, dentro de mim

Desde há muito que, nos regressos a Portugal, de uma qualquer viagem, em particular de avião, e que começava a aproximação para a aterragem, que me ocorria pensar vendo a extraordinária paisagem em dia limpo: - Isto é de facto um fabuloso sítio para “construir um pais” mas… é preciso fazê-lo!…  Mantenho a ideia quanto mais viagens se vão acumulando.

Mantenho-a pelo sentir pelo sentir do “desaproveitamento” dos muitos recursos que temos e em que apenas imaginação, vontade, e orgulho em preservar e tirar proveitos, fazendo pagar o que o vale, bastariam para mudar muita coisa, em concreto a nossa débil economia em carência urgente dessa tal “imaginação”.

Viajar é também isto, ver o que os outros fazem bem, comparar, aprender o bom, e adaptar o possível no que é nosso. Continue reading

Fotografar no México_Fotografar o México

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Uma espécie de introspecção de um fotógrafo.

Uma espécie de de conselhos ou sugestões aos viajantes com a “doença” da fotografia que vêm para este, ou outro canto do mundo, sempre com uma máquina fotográfica como companhia.

Cheguei ao México a 15/12/2013.

No último ano passado em Portugal, quase nada fotografara, ou muito pouco.

O que possuo de material desse ano são sobretudo imagens feitas com o telemóvel que vão contando o tempo e os lugares.
Imagens para o meu “diário fotográfico”. Notas.
Muitas sem preocupações estéticas. Apenas registos do que ia passando, acontecendo.

Tornei-me, e continuo, um apaixonado dessa ferramenta de notas, um “Moleskine” do fotógrafo.

Mas, pegar na “câmara pesada” tornara-se difícil. Faltavam estímulos. O velho “vício” hibernara.

De repente, um “de repente” longo como são alguns, estava no México. Continue reading

A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação…

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Final de tarde.

Lá fora chove de novo. É sempre assim na Cidade do México, como uma rotina.
Estamos no Verão. As estações do ano são como as nossas em datas, mas não em clima.
Agora deve estar muito calor em Portugal. Por cá faz fresco, não frio.
De manhã, com sorte, o sol aparece, pela tarde o céu torna-se enevoado, pesado, escuro, e com a chegada da noite é praticamente garantido que chove.
O meu “sombrero” torna-se então precioso.
Estive a tomar notas para “posts”a escrever sobre o “desde que cheguei”, sobre as intersecções com o nosso Portugal.
São já muitas as notas. Decido que o melhor é mesmo não me preocupar em dar-lhes uma sequência temporal. Vão saindo conforme a escrita me apetecer.
Agarro numa e sai-me como título as palavras de uma canção do Sérgio Godinho.
Nem todos a conhecerão, mas faz parte do que foram os inícios e memórias do “Portugal Novo”.

Pego apenas na última palavra – Educação.

Não nos diversos sentidos que lhe poderemos atribuir, apenas na “educação cívica”, aquela que nos faz relacionar e interagir com os outros.

Aqui, entro nas minhas primeiras impressões sobre o México, nas primeiras horas, nas inevitáveis comparações com o que ficou para trás, escrevendo um pouco mais sobre algo que já abordava no post anterior.
Das outras palavras deste título, desta canção, escreverei mais tarde.
Todas estão em curso por aqui, para todas este pais trabalha e tenta torná-las numa realidade consolidada.
Mas, a educação, a “cívica”, essa foi uma surpresa, uma constatação imediata, confirmada todos os dias.
Não acredito que a ensinem nas escolas, num pais em que a escolaridade mínima ainda não consegue ser obrigatória.
Está arreigada neste povo por algum motivo que desconheço ainda, vem muito detrás, não se perdeu, e encontra-se em qualquer classe social.
Obviamente há excepções como a qualquer regra.
Sentimo-la na rua quando pedimos uma informação, nos restaurantes e bares, nas lojas ou outros serviços pela forma como somos atendidos, nos transportes públicos onde é frequentíssimo um tipo levantar-se para ceder o lugar a uma mulher. Seguiria em exemplos.
Tudo isto num teatro de rostos sérios, automático e natural.
Porque os mexicanos não têm a extroversão dos brasileiros, por exemplo.
Tudo isto também, servido por um idioma comum a uma imensidão de territórios nesta grande América do Sul, mas em que eles, mexicanos, têm a sua forma particular de o falar, usando expressões que nos fazem sentir bem, como gente, que estão atentos a nós e ao que precisamos, e não esquecidos a fazer sinais para chamar um empregado que insiste em não nos ver.

A frase “must” é, absolutamente, “Con respeto!”, como preâmbulo a qualquer pergunta mais particular.

Mas há imensas para para nos fazer sentir bem: “Me llamo Natalie, para servirles”!, “Que les vaya bien”!, “Un gusto conocer usted”!, “Muy amable”!, “Ahorita mismo”!, “Mi amor”!, “Mi vida”!, … um sem fim.

Adoram os diminutivos como nós, e usam-nos a todo o momento como uma delicadeza no trato.
A somar a estas de uso verbal, as muitas que constam de avisos, de chamadas de atenção, ou simplesmente para vender, melhor dizendo, para motivar a comprar.
Ao escrever isto, ao senti-lo na pele do quotidiano, salta-me o imenso desejo de que o meu país, que já teve “isto”, à sua maneira, o reencontre.
Porque me vem à memória, àquela de que não gosto, o meu último Café em Aveiro, onde ia quase diariamente durante dois anos, e em que cada dia, era como se fosse o primeiro em que lá entrava, em que, mesmo, e apenas, um bom-dia, boa-tarde, ou obrigado, custavam a sair entre dono e empregados. E porquê!?

Acredito, apesar de tudo, sempre, que estamos numa mudança, que um pais não se reconstrói de repente, que vamos reencontrar-nos com os nossos valores bons, que vou ter tempo para assistir ao consolidar dessa mudança.
Porque, como eu, há muitos a desejá-la, há muitos a acreditar no futuro.

E agora?… que fotos vou inventar para ilustrar este escrito!?

Até já.

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“Um dia Bom” in México City DF Copa do Mundo_México/Croácia

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Levanto-me uma vez mais e vou à janela ver este México passar na rua.

Um dos muitos Méxicos para contar, tais as diversidades e contrastes deste pais imenso.
Acendo um cachimbo e dedico-me finalmente a recomeçar a escrita interrompida há mais de um ano.
Notas sobre projectos para “posts” havia muitas que foram ficando em cadernos agora longe, em Portugal.
O tempo voou neste último ano, e acabou trazendo-me até aqui.
Seis meses são já “passado” nesta nova realidade. Porém, a sensação a cada hora mais, de que este é um pais interminável para visitar e contar, mantém-se.
Sentir, e escrever depois, é talvez mais difícil do que fotografar.
O sentir de que apenas estamos a passar a outros um pequeno bocado do que vivemos é uma constante para mim.
Ao transferir para o papel, muito do que escrevemos antes na cabeça esvai-se. Apesar de tudo, e como em tudo, esse “bocado” que fica é sempre melhor que o “nada”.
Precisava de um título para isto e acabo por agarrar “Um dia Bom”.
Esse dia foi ontem, 23/06/2014. O México jogava contra a Croácia na Copa do Mundo, ganhou, e eu estava no meio deste povo feliz, festejando com eles, porque a alegria contagia e é bom.
Viajar é também, e sobretudo, isto, o sentir o lugar em que estamos, tentar compreendê-lo, compará-lo com o “donde vimos”, porque a marca das nossas origens e educação é indelével.
Mas fazê-lo sem fundamentalismos de crenças ou ideias, numa total liberdade de pensamento, porque não há verdades adquiridas, porque Bom e Mau são coisas tão relativas, porque tentar perceber os outros nos faz reflectir sobre nós mesmos.
Deixei Portugal por um tempo, não porque não goste do meu pais, um lugar no mundo inquestionavelmente excepcional, mas porque precisava de me renovar por dentro, reencontrar estímulos para continuar a minha fotografia, pôr-me de novo à prova comigo mesmo, sentindo-me vivo, e não, ficando imóvel a queixar-me como muitos, sem nada fazer para mudar.
Portugal vive de um quotidiano de queixas, antes e depois da Revolução, que não é saudável, que se tornou quase atávico, que muito gostaria de não ver no meu povo.
Apesar de tudo, continuo a acreditar que estamos num processo de mutação em curso, e que as novas gerações a vão levar por diante.
Sempre disse que essa não era a minha maneira de “viver Portugal”, que no dia em que sentisse que queixar não era a solução simplesmente sairia para outro lugar, outra realidade.
Assim fiz em 1972, quando uma guerra que não era minha me esperava, e a esperança numa revolução, felizmente acontecida, não se adivinhava no horizonte possível.
Assim refiz agora, para aprender mais de mim mesmo com outros povos, para repensar distanciado o Portugal em que continuo a acreditar, que se irá reencontrar um dia com o muito de bom que tem, aprendendo a dar-lhe o valor devido, projectando-se de novo neste mundo como referência que já foi.
Este México, escolha quase de acaso, foi uma escolha boa para tal. Podia ter acontecido África ou Oriente. Estão em espera.
Havia referências da juventude, uma espécie de chamamento.
As canções da Revolução Mexicana escutadas por horas ao som de whiskies, a leitura do “México Insurrecto” do John Reed. Mais tarde a descoberta de um cinema muito bom que por aqui se faz. O razoável domínio do idioma espanhol a permitir-me uma comunicação fácil.

E ontem foi “Um dia Bom” por cá, como intitulei este post.
Um dia bom é coisa simples. Acordamos, estamos vivos com vontade de o caminhar e continuar para o seguinte, sentimos que a onda humana que nos envolve nos faz sentirmo-nos bem connosco, que nos aceitam como somos, sentimos a alegria dos outros passar para nós, sentimos que há força nessa onda em constante movimento para fazer coisas, exigir coisas.
Não se sente o medo. Sente-se que aprenderam a dominá-lo, a viver com ele, a transformá-lo numa energia de “para a frente”.
E depois, muitos “depois” para escrever, há neste povo uma educação cívica e respeito pelos outros, de uma forma absolutamente natural, à qual quase já não estava habituado.
Porque Portugal, que a tinha desde a mais remota aldeia, a tem deixado esvair-se a pouco e pouco. É bom e bonito voltar a reencontrar esse calor.
Foi muito bom festejar aquela vitória com eles, mexicanos, como se eu daqui fosse, sentindo “quase” a mesma alegria na pele.
Claro que, se Portugal continuasse nesta corrida Copa, o “quase” não seria escrito.
Mas Ganhar e Perder são a vida a ser vivida.
Sobre isto termino, a recordar a propósito a sequência inicial do filme “Match Point” do Woody Allen.

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About the sentence “One picture says more than a thousand words”…

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Caes em contraluz - Version 2

The idea of writing something about that sentence came just after having found this photo when searching inside my not so well organized files.

All along these many years shooting photos, or drawing, or painting, I’ve never decided myself to talk much about. Just let people look at them, keeping my silence and accumulating work, the most of it never showed.

But now I started to feel different.

Finding that image I really felt, even if you can like it in a first approach, that it would be totally different if I explained the circumstances and the project behind.

It was at this precise moment that, again, “the sentence” came to my mind, as also the one about “the decisive moment” from Cartier Bresson. I let that for another occasion.

What I want to transmit today, illustrated by this photo, is the idea that we should never be “fundamentalist” about nothing, that there are no absolute truth, that all rules should be disobeyed one day for achieving something where the rules does not make sense, that finally, our minds and our feelings should be our masters, after learning and listening from all the possible sides of knowledge.

Coming back to the today’s picture.

I produced this image for a project, that I never really finished, about dogs for blind people, in the specialized training school Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, in Mortágua – Portugal.

It was not a commission, just one more project I decided , and, I love dogs.

Now, some years passed, looking again to the images stored in my computer and seeing this one I felt, that, if I had to choose one as the “iconic” to represent the project, it would be that one.

Why? – Just because it’s “out of focus”!…

Being out of focus the image transmits, probably, what someone approaching blindness still sees before the total darkness.

Simple.

But, if I had not give this explanation, probably you would have see the photo with different interpretations and less emotive power. Now I focused you on it and the circumstances.

Sometimes we really need to talk about what we produced, other times not. Keep the silence.

No definitive rules!…

PS – After searching a bit in the Internet I discovered that the original sentence is from CONFUCIO!…Geting old!…