“Um dia Bom” in México City DF Copa do Mundo_México/Croácia

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Levanto-me uma vez mais e vou à janela ver este México passar na rua.

Um dos muitos Méxicos para contar, tais as diversidades e contrastes deste pais imenso.
Acendo um cachimbo e dedico-me finalmente a recomeçar a escrita interrompida há mais de um ano.
Notas sobre projectos para “posts” havia muitas que foram ficando em cadernos agora longe, em Portugal.
O tempo voou neste último ano, e acabou trazendo-me até aqui.
Seis meses são já “passado” nesta nova realidade. Porém, a sensação a cada hora mais, de que este é um pais interminável para visitar e contar, mantém-se.
Sentir, e escrever depois, é talvez mais difícil do que fotografar.
O sentir de que apenas estamos a passar a outros um pequeno bocado do que vivemos é uma constante para mim.
Ao transferir para o papel, muito do que escrevemos antes na cabeça esvai-se. Apesar de tudo, e como em tudo, esse “bocado” que fica é sempre melhor que o “nada”.
Precisava de um título para isto e acabo por agarrar “Um dia Bom”.
Esse dia foi ontem, 23/06/2014. O México jogava contra a Croácia na Copa do Mundo, ganhou, e eu estava no meio deste povo feliz, festejando com eles, porque a alegria contagia e é bom.
Viajar é também, e sobretudo, isto, o sentir o lugar em que estamos, tentar compreendê-lo, compará-lo com o “donde vimos”, porque a marca das nossas origens e educação é indelével.
Mas fazê-lo sem fundamentalismos de crenças ou ideias, numa total liberdade de pensamento, porque não há verdades adquiridas, porque Bom e Mau são coisas tão relativas, porque tentar perceber os outros nos faz reflectir sobre nós mesmos.
Deixei Portugal por um tempo, não porque não goste do meu pais, um lugar no mundo inquestionavelmente excepcional, mas porque precisava de me renovar por dentro, reencontrar estímulos para continuar a minha fotografia, pôr-me de novo à prova comigo mesmo, sentindo-me vivo, e não, ficando imóvel a queixar-me como muitos, sem nada fazer para mudar.
Portugal vive de um quotidiano de queixas, antes e depois da Revolução, que não é saudável, que se tornou quase atávico, que muito gostaria de não ver no meu povo.
Apesar de tudo, continuo a acreditar que estamos num processo de mutação em curso, e que as novas gerações a vão levar por diante.
Sempre disse que essa não era a minha maneira de “viver Portugal”, que no dia em que sentisse que queixar não era a solução simplesmente sairia para outro lugar, outra realidade.
Assim fiz em 1972, quando uma guerra que não era minha me esperava, e a esperança numa revolução, felizmente acontecida, não se adivinhava no horizonte possível.
Assim refiz agora, para aprender mais de mim mesmo com outros povos, para repensar distanciado o Portugal em que continuo a acreditar, que se irá reencontrar um dia com o muito de bom que tem, aprendendo a dar-lhe o valor devido, projectando-se de novo neste mundo como referência que já foi.
Este México, escolha quase de acaso, foi uma escolha boa para tal. Podia ter acontecido África ou Oriente. Estão em espera.
Havia referências da juventude, uma espécie de chamamento.
As canções da Revolução Mexicana escutadas por horas ao som de whiskies, a leitura do “México Insurrecto” do John Reed. Mais tarde a descoberta de um cinema muito bom que por aqui se faz. O razoável domínio do idioma espanhol a permitir-me uma comunicação fácil.

E ontem foi “Um dia Bom” por cá, como intitulei este post.
Um dia bom é coisa simples. Acordamos, estamos vivos com vontade de o caminhar e continuar para o seguinte, sentimos que a onda humana que nos envolve nos faz sentirmo-nos bem connosco, que nos aceitam como somos, sentimos a alegria dos outros passar para nós, sentimos que há força nessa onda em constante movimento para fazer coisas, exigir coisas.
Não se sente o medo. Sente-se que aprenderam a dominá-lo, a viver com ele, a transformá-lo numa energia de “para a frente”.
E depois, muitos “depois” para escrever, há neste povo uma educação cívica e respeito pelos outros, de uma forma absolutamente natural, à qual quase já não estava habituado.
Porque Portugal, que a tinha desde a mais remota aldeia, a tem deixado esvair-se a pouco e pouco. É bom e bonito voltar a reencontrar esse calor.
Foi muito bom festejar aquela vitória com eles, mexicanos, como se eu daqui fosse, sentindo “quase” a mesma alegria na pele.
Claro que, se Portugal continuasse nesta corrida Copa, o “quase” não seria escrito.
Mas Ganhar e Perder são a vida a ser vivida.
Sobre isto termino, a recordar a propósito a sequência inicial do filme “Match Point” do Woody Allen.

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