Fotografar no México_Fotografar o México

_JMP6819 - Version 2

Uma espécie de introspecção de um fotógrafo.

Uma espécie de de conselhos ou sugestões aos viajantes com a “doença” da fotografia que vêm para este, ou outro canto do mundo, sempre com uma máquina fotográfica como companhia.

Cheguei ao México a 15/12/2013.

No último ano passado em Portugal, quase nada fotografara, ou muito pouco.

O que possuo de material desse ano são sobretudo imagens feitas com o telemóvel que vão contando o tempo e os lugares.
Imagens para o meu “diário fotográfico”. Notas.
Muitas sem preocupações estéticas. Apenas registos do que ia passando, acontecendo.

Tornei-me, e continuo, um apaixonado dessa ferramenta de notas, um “Moleskine” do fotógrafo.

Mas, pegar na “câmara pesada” tornara-se difícil. Faltavam estímulos. O velho “vício” hibernara.

De repente, um “de repente” longo como são alguns, estava no México.

Saía do aeroporto em Cancún, chovia chuva quente, imensa, o dilúvio tropical.
Já o tinha experimentado mas não recordava exactamente como era.
De repente também, o “clic”, esse, de apetecer começar a fotografar tudo, a ver muitas imagens possíveis para onde quer que olhasse.
Cores, muitas, gente diferente, atitudes, um movimento imparável, todo um mundo novo que apenas começava a descobrir e me trazia de volta a tal “doença” da fotografia.

Agora, mais de seis meses passados por cá, as imagens entretanto acumuladas são já milhares, na maioria ainda sem destino, a precisarem de horas de edição e com vários projectos possíveis de construir a partir delas.
Mas o “clic” continua . Todos os dias quando saio a “máquina pesada” vai comigo.
Isto não tem fim para os olhos de um fotógrafo.

Falando agora um pouco de “Fotografar no México”

Havia muito que não sentia isto, o fácil que pode ser fotografar.
Em particular, num país sobre o qual nos meteram todos os medos possíveis em todas as conversas que antecederam a partida.
Porquê não ir para um pais mais calmo, mais seguro!?

Tenho esse defeito desde pequeno. Seguir muitas vezes em direcção à “asneira” avisada para perceber, por mim, se é, ou não é.

E correr os respectivos riscos e medos.
Depois julgo o que vi ou senti, e pago a respectiva “factura” se tiver que ser.

México não foi asneira, e quando me refiro ao “fácil fotografar por cá”, falo em concreto da fotografia de rua, de pessoas, de situações.
Daquela fotografia que é mais difícil, complicada, ou eventualmente perigosa de praticar.
Não estamos na calma de um estúdio, o território não é nosso, somos normalmente intrusos.

Apesar de ter viajado por vários lugares deste mundo e respectivas diversidades, cheguei com as vivências mais recentes de uma Europa dita civilizada e, sobretudo, do Portugal actual.

Nestes, a fotografia de rua e particularmente a que retrata pessoas, situações, pouco tem a ver com os meus começos nos anos setenta.
Tornou-se, nos tais lugares “civilizados” do mundo, prática difícil, objecto de muitas situações desagradáveis, em consequência dessa obsessão do direito à imagem, à propriedade, regulamentada à minúcia, com casos em tribunal, etc.

Não nego que muitos fotógrafos terão contribuído para que isso acontecesse pela forma como exercem o ofício.

Passei a fotografar imensa gente de costas, sem rosto. Outra forma de retrato.
Os arquivos do futuro vão estar cheios de fotografias de pessoas sem rosto.

Mas, por aqui, regressei ao que não fazia há muito, fotografar gente de frente, guardar os olhares, porque os olhos contam histórias.
Retratar sem teleobjectiva muitas vezes, conseguir ter sorrisos de volta depois do “clic”, conversar, conhecer gente e ficar mais rico por dentro.

Obviamente que isto não é um dado adquirido, chegar, ver e fotografar.

Exige estratégias, muita paciência por vezes, preparar uma abordagem, deixar para trás muitas imagens que não é oportuno forçar, correr alguns riscos.
As imagens que se perdem são implícitas ao próprio ofício ou “hobbie” do fotografo, como o peixe ou caça que falhámos.
Outras estão na frente.

As melhores serão sempre aquelas que ficaram no cérebro e não conseguimos concretizar. Mas dessas nunca ninguém vai saber. São um outro arquivo do fotógrafo.

Faz-nos continuar o “lá para a frente estão outras imagens, outras oportunidades”. Há apenas que prosseguir a caminhada.

Eu sou daqueles que caminham por horas infinitas. Na noite muitas vezes.
Adoro essa luz de final de dia e luzes a acenderem-se, e depois também o esvaziar de espaços que a noite trás, o teatro que fica sem actores a pouco e pouco. Sobram os técnicos, os tipos do lixo, os policias, os vagabundos e uns quantos como eu.

Voltando às fotos e a como concretizá-las.

Nunca uso a máquina como uma arma, como algo que tenho o direito de colocar sobre o nariz de alguém como se a pessoa fosse um objecto inanimado à minha disposição de artista.

Um “não” de alguém é um “não” a respeitar. A fotografia pressupõe respeito pelo outro. Seja ele um engravatado de nariz no ar, ou um tipo que dorme na rua.

Pressupõe o respeito pela “vida”.

Este Blog chama-se “Make Photos not War” não por um acaso, mas porque define aquilo que existe por dentro da minha fotografia.

As imagens servem para a reflexão à posteriori.
Sobre “eles”, sobre “nós”. E podem ser de pessoas, objectos, paisagens.
Fizémo-las, guardámo-las, porque estivemos lá.

Fotografei já imensas coisas neste pais. Ficarão muitas mais por fazer. Não acaba.

Ao realizá-las não tive ainda qualquer problema grave, inevitável aparentemente com todos os medos que me meteram, qualquer episódio que mereça um verdadeiro conto de aventuras.

Claro, já arrisquei várias vezes.
Correr riscos faz parte do sair à rua. Na companhia de uma máquina fotográfica aumenta um pouco.

Amigos meus dizem: – Um dia lixas-te e divagam…

Rindo, costumo citar uma das minhas regras de base.

Se queres mesmo essa imagem, primeiro dispara e depois resolves o problema se tiver que ser. Ao contrário nunca a irás ter!

Mas há tipos que falariam deste tema muito melhor do que eu. Fotógrafos de guerra, repórteres de jornais do quotidiano por exemplo.

E agora, umas quantas regras básicas para o viajante nestas andanças e que não se satisfaz com os “selfies” ou fotografias tipo “postal” que se compram no quiosque. Aquele que tem mesmo o “bichinho” fotográfico e quer mais das suas imagens.

Antecipar: (E aqui refiro-me a situações que envolvem concretamente pessoas).

Muitas vezes vemos a imagem possível muitos metros antes de lá chegarmos.
A máquina já deve estar regulada, com luz medida, ISO controlado, etc, antes de estarmos sobre ao assunto.
O importante é definir como nos aproximamos, chegar, enquadrar e disparar. Por vezes saber também sorrir no momento certo.
Mas nunca, nunca, gastar tempo frente ao “assunto” a fazer regulações infinitas, perdendo a concentração ou empatia.

Agradecer ao “autofocus”, essa fabulosa facilidade das câmaras actuais.

Descobrir imagens ao longe: Um fotografo caminha, olha, vê ao pé e ao longe. Volta-se para trás muitas vezes, descobrindo a foto que ia perder.

Ter consciência de que, (e aí o México é um exemplo, nomeadamente em cidades em que os indíos Mayas abundam como parte da população local, mas não só aí), não somos os homens invisíveis que todos os fotógrafos desejariam ser.
Somos detectados e observados a dezenas de metros, e muitos já estão preparados para se esconderem ou taparem a cara ao nosso menor movimento para lhes apontar a máquina.
Não gostam de ser fotografados e estão no seu direito.
Em contrapartida acham que temos disponibilidade para lhes comprar tudo o que nos queiram vender. São donos de uma produção artesanal fabulosa em beleza.

Nestes casos em que dialogar não será fácil, a regra possível é, aprender a deambular como se nada fosse, como se não tivéssemos visto que já nos viram, e conduzir os nossos passos para o ângulo certo, imprevisível para eles, quando já nos esqueceram para se concentrarem noutros.

Mas … às vezes não há mais fotógrafos nem chamadas de atenção para eles e, a foto não se fez.

Saber pedir autorização quando só assim é possível fazer o que queremos.
Se a resposta for não, respeitá-la sem insistir.

Falar algo do idioma é uma grande vantagem em qualquer território.
No entanto, falá-lo demasiado bem poderá já não o ser.
Por vezes é bom fazer acreditar que não percebemos exactamente o que dizem, e assim conseguir mudar o rumo a uma conversa que não está a correr bem como queremos.

Aprender a ter olhos à frente e atrás: O fotógrafo desconcentra-se muito facilmente com o que ocorre atrás dele ao ter o olho colado a um visor, e o cérebro a ver e processar o que está a acontecer frente à máquina.
Isso não é bom quando muitas vezes estamos sozinhos, envolvidos por gente, em que nem tudo pode representar um lugar seguro.

Não sei dar receita certa ou infalível para isto. Sofro do mesmo mal. Apenas aprender com o erro e tentar ir desenvolvendo sistemas internos de alerta.

E, a S.ta Verónica dos fotógrafos a velar por nós.

E a Sorte!…essa desconhecida, mas grande amiga.

Não demonstrar nunca medo ou agressividade. “We make photos, not war”! O território é deles, nós somos o intruso e, portanto, o respeito pelo território do outro é absolutamente, e sempre, devido.

Mas gerir o stress ou medo aprende-se com o tempo e com as muitas experiências.

Bem como a consciência do efeito que nós mesmos provocamos nos outros.

Um tipo que fuma cachimbo como eu pode ser uma curiosidade, alguém com interesse ou que faz sorrir. Mas saber guardar o cachimbo para não dar nas vistas também pode ser a atitude a tomar.

Entre uma mulher ou um homem abordando a mesma situação fotográfica poderão existir vantagens ou desvantagens muito grandes.
Há uma enorme diferença e, elas ganham normalmente.

Saber quando é de esquecer a máquina pesada e que dá nas vistas e usar o “maravilhoso” telemóvel que permite imagens impossíveis.
Por exemplo, para conseguir fotografar quem vai ao nosso lado num autocarro, ou à nossa frente no Metro.
Essa ferramenta dá-nos também aquele ar do tonto que faz fotos “recuerdo”, por tudo e por nada, e não é um perigoso profissional.

Aprender a pedir autorização para tirar uma foto, falando sempre e, enquanto dizem que não, e respondemos OK, já disparámos uma e pedimos desculpa.
Com sorte foi a boa!

E, etc, etc, etc,

Poderia continuar a escrever muito mais sobre este “Fotografar no México”.
Apenas abordei uma questão técnica de base e de SEMPRE, a antecipação das regulações da câmara.
O resto são considerações sobre como mover-se por cá, mas também em muitos outros territórios.

Ficam á vossa espera a imensidão de cores, as gentes, paisagens, situações, com que se irão deparar a cada momento.

Boas fotos para os que decidirem o México como destino de viajem.
Boas fotos também para todos aqueles a quem, noutros mundos, estas dicas possam ser de utilidade.

E…um último conselho: Um fotografo é um “chato” como companhia de passeio.
Assim, desliguem-se dos grupos, partam à descoberta sozinhos, ou com companheiro/a que sofra da mesma “paixão”!…IMG_4961 - Version 2

_JMP9594 - Version 2_JMP8105 - Version 2_JMP9750 - Version 2_JMP2183 - Version 2_JMP5839 - Version 3_JMP3237 - Version 2IMG_3471_JMP5362

2 thoughts on “Fotografar no México_Fotografar o México

  1. Muito fixe mesmo. Continua. Precisas de compactar mais os post ou dividi – los. Mesmo que o escrevas todo de uma vez o que faz todo o sentido para aproveitar a inspiração , pensa em dividir em fatias. Parte 1 …2…3. Talvez deixar 9 leitor em suspense. Além disso ficas logo com eles pro tos a entrarem. Não sei se o WordPress permite agendar posts… se permitir… brutal. Deixas logo pronto a entrar um ou dois dias depois.

    Depois pré is as de regularidade. Estipula para ti… 1 post por semana? Dois?? 3 ??? Um cada dois dias? Um a segunda outro a quinta e Oi útero ao domingo? Define e informa as pessoas. Faz com que voltem para o resto da história. A próxima foto?

    Vê como funcionam as ferramentas de análise de visitas, de onde vem, quanto tempo ficam a ler o post e em que posta clicam mais. Aprende o que resulta em o que não resulta. E como um laboratório sempre a andar. Marca e em seas tarefas na tua a andar venda semanal e FAZ com que aconteçam. Afinal de contas se trabalhasse para ti não a aceitarias que alguém que se baldasse ao trabalho ou aparecesse só quando lhe apetece-se! ? Certo??? Vais ver… se meteres essa consistencia o resto tudo vai funcionar muito melhor. Se tens leitores ou malta que vê e le as tuas coisas faz um inquérito a perguntar o que gostam ou não gostam.

    Tenho de ir.

    Beijaooooo

    Cocas.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s