O “Efeito Bang Bang”

Do filme "The Bang Bang Club"

Do filme “The Bang Bang Club”

Não sei porquê mas, desde que me recordo, que associo coisas em pensamento, ideias, números, títulos para hipotéticos livros, da forma mais inesperada ou disparatada. Não sou caso único obviamente.

Este “post” é apenas mais uma consequência desse lado do “eu”.

Começa com a primeira foto dos putos, comigo, em Paris 1972.

Quando a publico pela primeira vez no “Facebook” pedem-me para contar a história.

Tempos depois vejo o filme “The Bang Bang Club”, uma história de fotógrafos de guerra.

Adoro o filme e, por brincadeira, dou o título “O meu “Bang Bang Club” à minha foto de Paris.

Quase nunca legendo ou intitulo as minhas fotografias.

Não só gosto muito do filme em si em mesmo, como se torna “especial” por o protagonista usar uma Nikkormat, a minha primeira câmara a sério.

Tudo isto fica em suspenso no cérebro, esse “disco” de ficheiros dispersos, em que vamos encontrando muitos por “acasos” que não compreendemos. Não estão organizados em pastas. Às vezes dava imenso jeito ser possível!…

Passou muito tempo por mim no entretanto.

Agora, desço os difíceis degraus de uma imensa pirâmide das ruínas Mayas em Palenque, debaixo de um sol e calor mexicanos.

Escorro transpiração. Já estou muito mais habituado a este clima e o físico continua a portar-se bem.

De súbito vem-me à ideia este Blog, a vontade de o continuar, lembro-me do Bang Bang, e nasce o título “O Efeito Bang Bang”.
Nunca vou perceber o “porquê”, nem interessa.
Ainda faltam muitos anos para compreender-mos o funcionamento de um cérebro humano.

Rio-me sozinho, e começam as associações de pensamentos a encadearem-se na desordem.

Primeira.

O Universo actual terá sido consequência de um “Big Bang”.

“Bang” significa qualquer coisa como uma explosão, um impacto, um choque.

Para agora, para este escrito, é algo que nos tira de uma paragem, de uma pausa, de um adormecimento, de uma rotina, que mexe connosco, no bom ou no mau sentido.

Começo a pensar que “a vida”, a verdadeira, aquela que nos faz “senti-la” é feita apenas de “Bangs” em nós mesmos.

Os intervalos destes, são espaços “tempo” que possivelmente nem sequer vamos recordar. Passaram por nós sem deixar registo.

Mas os “Bangs”, esses ficam, não esquecemos.
Poderão esfumar-se, ir para um canto, mas estão lá, e saltam quando menos esperamos.

Podem ser de fracções de segundo, ou muito lentos, de longa duração, bons e maus, deixar apenas uma marca bem localizada, ou, como as granadas de estilhaços, deixar muitas, pontos para cicatrizar, anos para recuperar. Estes são os maus.

Há os bons também, com características idênticas, que não dão dor mas prazer, gozo, cujo impacto nos preenche no melhor.

É isto a “vida” o “estar vivo”, e eu estava quando descia aquelas ruínas cheias de histórias e de “Bangs”, de um povo que continua também bem vivo, no México.

Inventada toda esta louca associação de ideias para justificar “O Efeito Bang Bang” precisava agora de imagens de uns quantos “Bangs” para exemplo, coisa pouco fácil de fazer. São muitos.

Mas como, as imagens de um fotógrafo, sejam pelo vício, ou para trabalho encomendado, acabam por ser, acima de tudo, um imenso diário, vou ver o que encontro.

Junto de cada uma vai a história ou legenda respectiva.

Bons “Bangs”! … que os “maus” se arrumem num cantinho e se esfumem pouco a pouco.

Paris, Ivry s/ Seine, 1972. Deixei para trás uma, família, um país, uma guerra. No horizonte esperança de retorno Zero. Na frente o sonho de ser fotógrafo e a aprendizagem de mim mesmo. Na foto os "putos" meus amigos, filhos de emigrantes portugueses e argelinos. Falta um, o fotógrafo. E acertou com um enquadramento perfeito! Onde estarão hoje?

Paris, Ivry s/ Seine, 1972.
Deixei para trás uma, família, um país, uma guerra. No horizonte esperança de retorno Zero. Na frente o sonho de ser fotógrafo e a aprendizagem de mim mesmo.
Na foto os “putos” meus amigos, filhos de emigrantes portugueses e argelinos. Falta um, o fotógrafo. E acertou com um enquadramento perfeito!
Onde estarão hoje?

Afinal o retorno impossível a Portugal já não é. Acontece um 25 de Abril. Começo a trabalhar a sério, no cinema. Contrata-me um tipo chamado João Franco. Um louco de inteligência brilhante. Torna-se o meu maior amigo de sempre, uma escola de vida que nunca vou esquecer, mil histórias vividas juntos, um projecto de livro que ficou em projectos, uma morte estúpida e lenta para quem vivia sempre ao segundo.

Afinal o retorno impossível a Portugal já não é. Acontece um 25 de Abril. Começo a trabalhar a sério, no cinema. Contrata-me um tipo chamado João Franco. Um louco de inteligência brilhante. Torna-se o meu maior amigo de sempre, uma escola de vida que nunca vou esquecer, mil histórias vividas juntos, um projecto de livro que ficou em projectos, uma morte estúpida e lenta para quem vivia sempre ao segundo.

1979 - Nasce o meu primeiro filho. É um "brinquedo" novo em casa.  Passaram muitos anos desde então. Hoje é um companheiro, o meu Grande Amigo, uma referência, um tipo brilhante em tudo em que mete o nariz e...um grande fotógrafo.  Educar não custou nada. "Bangs" juntos são mesmo muitos.

1979 – Nasce o meu primeiro filho. É um “brinquedo” novo em casa.
Passaram muitos anos desde então. Hoje é um companheiro, o meu Grande Amigo, uma referência, um tipo brilhante em tudo em que mete o nariz e…um grande fotógrafo.
Educar não custou nada. “Bangs” juntos são mesmo muitos.

Finais dos anos 80.  Construo a "nossa casa" em Coja. Aprendo tudo. Marco-a eu mesmo no terreno. O triângulo à esquerda, em cima, será o meu atelier por muito tempo. Um "sonho" concretizado em que fui, fomos, muito felizes. Hoje o sonho mudou de mãos. Sei que vão ser boas mãos.

Finais dos anos 80.
Construo a “nossa casa” em Coja.
Aprendo tudo. Marco-a eu mesmo no terreno.
O triângulo à esquerda, em cima, será o meu atelier por muito tempo. Um “sonho” concretizado em que fui, fomos, muito felizes. Hoje o sonho mudou de mãos. Sei que vão ser boas mãos.

2001 - Há dois anos que profissionalmente regressei à  paixão de muitos anos já, a fotografia. Publico o meu primeiro livro, sobre um padre, um artista, um amigo, um exemplo de vida. Eu, que não sou de missas nem igrejas.

2001 – Há dois anos que profissionalmente regressei à paixão de muitos anos já, a fotografia.
Publico o meu primeiro livro, sobre um padre, um artista, um amigo, um exemplo de vida.
Eu, que não sou de missas nem igrejas.

Rapaz melancias - Version 2

2000 – Dou uma Volta ao Mundo em 80 Dias. Uma experiência extraordinária que faz a inveja de muitos, uma viagem grande por dentro também, a fotografia como a grande companheira a fazer aguentar os dias mais duros, um projecto de livro ainda em pendentes.

 

2006 a terminar. Vou viver para a Costa Nova - Ílhavo.  Sózinho. Ria de um lado, mar do outro. Um horizonte de sonho, mas...um imenso e estranho desafio pela frente.  Há amigos antigos que não me deixam perceber demasiado a solidão, há amigos novos a nascerem e crescerem.

2006 a terminar.
Vou viver para a Costa Nova – Ílhavo.
Sózinho. Ria de um lado, mar do outro. Um horizonte de sonho, mas…um imenso e estranho desafio pela frente.
Há amigos antigos que não me deixam perceber demasiado a solidão, há amigos novos a nascerem e crescerem.

Costa Nova. Uma gata apaixona-se por mim e eu por ela.  Estranha história porque já tinha donos. E eu que só gostava de cães. Chamo-lhe Jade. Vou abandona-la um dia porque preciso de partir. Continua a ser a imagem de entrada do meu tlm sem conseguir substitui-la.

Costa Nova. Uma gata apaixona-se por mim e eu por ela.
Estranha história porque já tinha donos.
E eu que só gostava de cães.
Chamo-lhe Jade. Vou abandona-la um dia porque preciso de partir.
Continua a ser a imagem de entrada do meu tlm sem conseguir substitui-la.

Perco uma irmã muito querida. A minha primeira grande modelo.

Perco uma irmã muito querida. A minha primeira grande modelo.

Aveiro - 2010, Exposição "À Flor da Água" Consigo concretizar um projecto antigo, expor fotografias na água como se estivessem a revelar  na câmara escura. Acabo por decorar a cidade com fotografias.  Obrigado Sara Biaia. Sem ti e o teu entusiasmo  teria sido muito mais difícil concretiza-lo

Aveiro – 2010, Exposição “À Flor da Água”
Consigo concretizar um projecto antigo, expor fotografias na água como se estivessem a revelar na câmara escura.
Acabo por decorar a cidade com fotografias.
Obrigado Sara Biaia. Sem ti e o teu entusiasmo teria sido muito mais difícil torna-lo realidade.

2012 a terminar A sessão das sessões! Um projecto no ar há muito. A duas mãos.  A minha Top Model de sonho, de novo a ser fotografada pelo pai. Super "Styling" de Maria Pimentel. Um dia para nunca esquecer. Trabalhámos a sério e divertido-nos em grande

2012 a terminar
A sessão das sessões! Um projecto no ar há muito. A duas mãos.
A minha Top Model de sonho, de novo a ser fotografada pelo pai.
Super “Styling” de Maria Pimentel. Um dia para nunca esquecer. Trabalhámos a sério e divertido-nos em grande

Está 2013 a chegar ao fim.  Ha um ano que decidi vender tudo e ver como era a vida noutro lado. O bicho de que a vida  não pode ser uma linha sempre igual. Decido México, decido que o Natal já será por lá. Podia ter sido outro destino. De novo na frente um imenso desconhecido por fora e por dentro. De novo o ver até onde és capaz de ir.

Está 2013 a chegar ao fim.
Ha um ano que decidi vender tudo e ver como era a vida noutro lado. O bicho de que a vida não pode ser uma linha sempre igual.
Decido México, decido que o Natal já será por lá. Podia ter sido outro destino.
De novo na frente um imenso desconhecido por fora e por dentro. De novo o ver até onde és capaz de ir.

México / Palenque - Ruínas Mayas. Há quase um mês que viajo sozinho pelo México à descoberta de um país ainda desconhecido depois de quatro meses parado em Playa del Carmen. E descubro. Descubro um país de extraordinária diversidade de culturas e gentes que dará para anos se o quiser conhecer a sério.

México / Palenque – Ruínas Mayas.
Há quase um mês que viajo sozinho pelo México à descoberta de um país ainda desconhecido depois de quatro meses parado em Playa del Carmen.
E descubro.
Descubro um país de extraordinária diversidade de culturas e gentes que dará para anos se o quiser conhecer a sério.

México City DF - Julho 2014 Uma pintura só para mim, para viajar comigo para todo o lado, sempre. Estas são as palavras do Daniel Chinikuil, com atelier vizinho ao meu quarto. Conhecemo-nos há semanas apenas. Aterrei naquele lugar por um daqueles extraordinários acasos da sorte.  No percurso México rumara a DF como ponto de pausa e porque tinha que ver como era a cidade terror e caos conforme tantas descrições. Acabo a fazer os primeiros amigos a sério, acabo a ter um presente destes como despedida quando anuncio que vou parte de novo por um tempo.  Acabo quase a chorar pelo inesperado.  Estão horas de trabalho nesta tela e foram feitas para mim e isso não tem preço.

México City DF – Julho 2014
Uma pintura só para mim, para viajar comigo para todo o lado, sempre.
Estas são as palavras do Daniel Chinikuil, com atelier vizinho ao meu quarto.
Conhecemo-nos há semanas apenas. Aterrei naquele lugar por um daqueles extraordinários acasos da sorte.
No percurso México rumara a DF como ponto de pausa e porque tinha que ver como era a cidade terror e caos conforme tantas descrições.
Acabo a fazer os primeiros amigos a sério, acabo a ter um presente destes como despedida quando anuncio que vou partir de novo por um tempo.
Acabo quase a chorar pelo inesperado.
Estão horas de trabalho nesta tela e foram feitas para mim e isso não tem preço.

7 thoughts on “O “Efeito Bang Bang”

  1. Talvez o curta metragem mais longo e denso que assisti nos ultimos tempos. As imagens valem mil palavras e as tuas…muito mais do que isto! Keep going mate😉

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