Da “Gay Pride” para outras reflexões…

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Posso fotografar tudo, ou quase.

Quando me perguntam que tipo de fotografia faço não sei nunca o que responder. Qualquer tema pode ser um novo desafio. De qualquer coisa a possibilidade de realizar uma imagem pode surgir.

Começando, instala-se o “bichinho” do trabalhar para conseguir um resultado que valha.

Mesmo naqueles trabalhos que à partida podem parecer “chatos” e não apetecerem em particular, o desafio do “fazer bem” abre caminho e toma conta.

Esse é um dos gozos particulares deste ofício nunca aprendido por completo, em que fotografar novas coisas faz aprender coisas novas também.

Fotografar uma “Gay Pride” já estava em planos para Lisboa, para Madrid. Acabou por acontecer na Cidade do México.

Pela curiosidade do espectáculo, pelo vício de fazer novas imagens, por ser mais uma experiência a juntar ao arquivo “vida”.

Um trabalho difícil no meio de imensa multidão em movimento, a precisar de ser rápido, ver depressa onde pode estar a imagem interessante, reagir ao segundo, falhar muitas que poderiam ter sido boas.

Divertido ver como aquele “orgulho gay” se exibe, se assume, se impõe, e se faz aceitar hoje de forma totalmente pacífica.

Mais tarde, ao ver as imagens que fiz, ao lembrar-me também do único livro que comprei neste viajar, porque livros pesam na bagagem e a solução é ler, abandonar para outros, e não ter biblioteca, relembrei aquilo que já muitas vezes discuti entre amigos.

Na essência estou igual a quando tinha vinte anos. Os valores importantes são os mesmos, apenas a quantidade de informação para processar dentro de mim se tornou maior. Penso mais, talvez.

Sou hoje muito menos radical em opiniões. Continuo o “não fundamentalista” que sempre fui, estou mais aberto a ouvir e analisar opiniões de outros. O “relativo” das coisas ganhou dimensão.

O livro que referi ter comprado nesta viagem, que me apaixonou pelo grafismo da capa, e por ser levíssimo para transportar, de fabrico artesanal em materiais reciclados, chama-se “AMORES – Redes afectivas y revoluciones” da autoria de Brigitte Vasallo, uma escritora espanhola.

E, a minha reflexão de agora, o tema das tais “conversas entre amigos”, que fica como alerta para os “media”, como um desafio para quem sabe escrever sobre estas matérias, que não eu, é apenas esta:

Nada tenho contra Gays, Bissexuais, transexuais, sadomasoquistas, ou outros “diferentes”!… como alguns dizem.

Eu alinho pelo grupo dos que acham que, qualquer tipo de assumpção de comportamentos e opções que dêem prazer e sentido à vida dos próprios, desde que não causem danos a terceiros ou gerem violência não consentida, são legítimos, e não devem ser perseguidos ou marginalizados.

Assistimos, lemos, e vemos hoje, a regulamentação legal, a discussão, a chegada a consensos sobre estas matérias, em muitos países onde antigamente eram objecto de vergonha e proscrição.

Os “media” publicam milhares de artigos nomeadamente sobre a temática “gay”, casamentos, adopções, regulamentações de impostos comuns, uniões de facto.

Nada tenho contra, pelo contrário, é sempre bom discutir, encontrar soluções que gerem igualdade e felicidade, mas…

E aqui entra o muito bom texto da Brigitte Vasallo.

Mas…E quem escreve sobre os novos caminhos da relação heterossexual, enfim, a teoricamente mais comum!?

Para onde caminhamos, o que há que mudar, como evoluir em costumes e pensamentos!? Monogamia, poligamia, alternativas!?

Porque cada vez assistimos mais a casais heterossexuais estupidamente destruídos, estupidamente em impasses de terceiros afectos que se interceptaram, terminando relações que talvez tivessem alternativas, não foram os códigos rígidos de conduta que absorvemos desde a infância a ditar comportamentos estereotipo.

Vão entretanto crescendo novas gerações de filhos que. nunca saberão exactamente o que é ter pai e mãe no mesmo espaço. Nascemos para ter pai e mãe. São referências de vida diferentes e necessárias.

Porque continuamos nesse lado das coisas a fechar os olhos, a perseguir preconceitos e defender modelos gastos impostos por uma moral “podre”!?

Escrever sobre as temáticas “gays” e afins tornou-se moda, vende imenso, faz sorrir, acalmou e tornou tolerante uma sociedade que os rejeitava. Ainda bem.

Mas homossexuais não fazem filhos, não se reproduzem.

Se uma maioria de nós se assumisse como tal, a humanidade estava pura e simplesmente condenada ao desaparecimento. Simples.

Portanto, é dos “outros”, dos que “morderam a maçã” como eu, e gostaram, que é preciso ocupar-se a reflectir como prioridade, e a descobrir e fazer compreender novos caminhos, que vão certamente passar por “matar” a velha moral Judaico-Cristã que tão bem tem sabido colocar-nos “antolhos”, e fazer-nos morrer de medo dos terrores do castigo e do Inferno em espera para os que ousam desvios de rota.

Quem souber e quiser reflectir e publicar sobre o tema deve começar a fazê-lo, como uma prioridade, e de forma séria.

Abrir caminhos novos demora, e um povo não se educa em dois dias. São as gerações futuras que vão tirar os frutos. Mas vale a pena começar.

Claro, é muito mais difícil e “melindroso” do que a temática Gay, que basicamente lutou pela aquisição dos conceitos e direitos que geriam os que “morderam a maçã”, e os adaptou à sua maneira, que não é exactamente a mesma.

É quase como discutir e propor alterações às leis do trabalho em vésperas de eleições. Poucos assumem.

THINK ABOUT!…

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