Fotografar no México_Fotografar o México

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Uma espécie de introspecção de um fotógrafo.

Uma espécie de de conselhos ou sugestões aos viajantes com a “doença” da fotografia que vêm para este, ou outro canto do mundo, sempre com uma máquina fotográfica como companhia.

Cheguei ao México a 15/12/2013.

No último ano passado em Portugal, quase nada fotografara, ou muito pouco.

O que possuo de material desse ano são sobretudo imagens feitas com o telemóvel que vão contando o tempo e os lugares.
Imagens para o meu “diário fotográfico”. Notas.
Muitas sem preocupações estéticas. Apenas registos do que ia passando, acontecendo.

Tornei-me, e continuo, um apaixonado dessa ferramenta de notas, um “Moleskine” do fotógrafo.

Mas, pegar na “câmara pesada” tornara-se difícil. Faltavam estímulos. O velho “vício” hibernara.

De repente, um “de repente” longo como são alguns, estava no México. Continue reading

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A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação…

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Final de tarde.

Lá fora chove de novo. É sempre assim na Cidade do México, como uma rotina.
Estamos no Verão. As estações do ano são como as nossas em datas, mas não em clima.
Agora deve estar muito calor em Portugal. Por cá faz fresco, não frio.
De manhã, com sorte, o sol aparece, pela tarde o céu torna-se enevoado, pesado, escuro, e com a chegada da noite é praticamente garantido que chove.
O meu “sombrero” torna-se então precioso.
Estive a tomar notas para “posts”a escrever sobre o “desde que cheguei”, sobre as intersecções com o nosso Portugal.
São já muitas as notas. Decido que o melhor é mesmo não me preocupar em dar-lhes uma sequência temporal. Vão saindo conforme a escrita me apetecer.
Agarro numa e sai-me como título as palavras de uma canção do Sérgio Godinho.
Nem todos a conhecerão, mas faz parte do que foram os inícios e memórias do “Portugal Novo”.

Pego apenas na última palavra – Educação.

Não nos diversos sentidos que lhe poderemos atribuir, apenas na “educação cívica”, aquela que nos faz relacionar e interagir com os outros.

Aqui, entro nas minhas primeiras impressões sobre o México, nas primeiras horas, nas inevitáveis comparações com o que ficou para trás, escrevendo um pouco mais sobre algo que já abordava no post anterior.
Das outras palavras deste título, desta canção, escreverei mais tarde.
Todas estão em curso por aqui, para todas este pais trabalha e tenta torná-las numa realidade consolidada.
Mas, a educação, a “cívica”, essa foi uma surpresa, uma constatação imediata, confirmada todos os dias.
Não acredito que a ensinem nas escolas, num pais em que a escolaridade mínima ainda não consegue ser obrigatória.
Está arreigada neste povo por algum motivo que desconheço ainda, vem muito detrás, não se perdeu, e encontra-se em qualquer classe social.
Obviamente há excepções como a qualquer regra.
Sentimo-la na rua quando pedimos uma informação, nos restaurantes e bares, nas lojas ou outros serviços pela forma como somos atendidos, nos transportes públicos onde é frequentíssimo um tipo levantar-se para ceder o lugar a uma mulher. Seguiria em exemplos.
Tudo isto num teatro de rostos sérios, automático e natural.
Porque os mexicanos não têm a extroversão dos brasileiros, por exemplo.
Tudo isto também, servido por um idioma comum a uma imensidão de territórios nesta grande América do Sul, mas em que eles, mexicanos, têm a sua forma particular de o falar, usando expressões que nos fazem sentir bem, como gente, que estão atentos a nós e ao que precisamos, e não esquecidos a fazer sinais para chamar um empregado que insiste em não nos ver.

A frase “must” é, absolutamente, “Con respeto!”, como preâmbulo a qualquer pergunta mais particular.

Mas há imensas para para nos fazer sentir bem: “Me llamo Natalie, para servirles”!, “Que les vaya bien”!, “Un gusto conocer usted”!, “Muy amable”!, “Ahorita mismo”!, “Mi amor”!, “Mi vida”!, … um sem fim.

Adoram os diminutivos como nós, e usam-nos a todo o momento como uma delicadeza no trato.
A somar a estas de uso verbal, as muitas que constam de avisos, de chamadas de atenção, ou simplesmente para vender, melhor dizendo, para motivar a comprar.
Ao escrever isto, ao senti-lo na pele do quotidiano, salta-me o imenso desejo de que o meu país, que já teve “isto”, à sua maneira, o reencontre.
Porque me vem à memória, àquela de que não gosto, o meu último Café em Aveiro, onde ia quase diariamente durante dois anos, e em que cada dia, era como se fosse o primeiro em que lá entrava, em que, mesmo, e apenas, um bom-dia, boa-tarde, ou obrigado, custavam a sair entre dono e empregados. E porquê!?

Acredito, apesar de tudo, sempre, que estamos numa mudança, que um pais não se reconstrói de repente, que vamos reencontrar-nos com os nossos valores bons, que vou ter tempo para assistir ao consolidar dessa mudança.
Porque, como eu, há muitos a desejá-la, há muitos a acreditar no futuro.

E agora?… que fotos vou inventar para ilustrar este escrito!?

Até já.

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“Um dia Bom” in México City DF Copa do Mundo_México/Croácia

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Levanto-me uma vez mais e vou à janela ver este México passar na rua.

Um dos muitos Méxicos para contar, tais as diversidades e contrastes deste pais imenso.
Acendo um cachimbo e dedico-me finalmente a recomeçar a escrita interrompida há mais de um ano.
Notas sobre projectos para “posts” havia muitas que foram ficando em cadernos agora longe, em Portugal.
O tempo voou neste último ano, e acabou trazendo-me até aqui.
Seis meses são já “passado” nesta nova realidade. Porém, a sensação a cada hora mais, de que este é um pais interminável para visitar e contar, mantém-se.
Sentir, e escrever depois, é talvez mais difícil do que fotografar.
O sentir de que apenas estamos a passar a outros um pequeno bocado do que vivemos é uma constante para mim.
Ao transferir para o papel, muito do que escrevemos antes na cabeça esvai-se. Apesar de tudo, e como em tudo, esse “bocado” que fica é sempre melhor que o “nada”.
Precisava de um título para isto e acabo por agarrar “Um dia Bom”.
Esse dia foi ontem, 23/06/2014. O México jogava contra a Croácia na Copa do Mundo, ganhou, e eu estava no meio deste povo feliz, festejando com eles, porque a alegria contagia e é bom.
Viajar é também, e sobretudo, isto, o sentir o lugar em que estamos, tentar compreendê-lo, compará-lo com o “donde vimos”, porque a marca das nossas origens e educação é indelével.
Mas fazê-lo sem fundamentalismos de crenças ou ideias, numa total liberdade de pensamento, porque não há verdades adquiridas, porque Bom e Mau são coisas tão relativas, porque tentar perceber os outros nos faz reflectir sobre nós mesmos.
Deixei Portugal por um tempo, não porque não goste do meu pais, um lugar no mundo inquestionavelmente excepcional, mas porque precisava de me renovar por dentro, reencontrar estímulos para continuar a minha fotografia, pôr-me de novo à prova comigo mesmo, sentindo-me vivo, e não, ficando imóvel a queixar-me como muitos, sem nada fazer para mudar.
Portugal vive de um quotidiano de queixas, antes e depois da Revolução, que não é saudável, que se tornou quase atávico, que muito gostaria de não ver no meu povo.
Apesar de tudo, continuo a acreditar que estamos num processo de mutação em curso, e que as novas gerações a vão levar por diante.
Sempre disse que essa não era a minha maneira de “viver Portugal”, que no dia em que sentisse que queixar não era a solução simplesmente sairia para outro lugar, outra realidade.
Assim fiz em 1972, quando uma guerra que não era minha me esperava, e a esperança numa revolução, felizmente acontecida, não se adivinhava no horizonte possível.
Assim refiz agora, para aprender mais de mim mesmo com outros povos, para repensar distanciado o Portugal em que continuo a acreditar, que se irá reencontrar um dia com o muito de bom que tem, aprendendo a dar-lhe o valor devido, projectando-se de novo neste mundo como referência que já foi.
Este México, escolha quase de acaso, foi uma escolha boa para tal. Podia ter acontecido África ou Oriente. Estão em espera.
Havia referências da juventude, uma espécie de chamamento.
As canções da Revolução Mexicana escutadas por horas ao som de whiskies, a leitura do “México Insurrecto” do John Reed. Mais tarde a descoberta de um cinema muito bom que por aqui se faz. O razoável domínio do idioma espanhol a permitir-me uma comunicação fácil.

E ontem foi “Um dia Bom” por cá, como intitulei este post.
Um dia bom é coisa simples. Acordamos, estamos vivos com vontade de o caminhar e continuar para o seguinte, sentimos que a onda humana que nos envolve nos faz sentirmo-nos bem connosco, que nos aceitam como somos, sentimos a alegria dos outros passar para nós, sentimos que há força nessa onda em constante movimento para fazer coisas, exigir coisas.
Não se sente o medo. Sente-se que aprenderam a dominá-lo, a viver com ele, a transformá-lo numa energia de “para a frente”.
E depois, muitos “depois” para escrever, há neste povo uma educação cívica e respeito pelos outros, de uma forma absolutamente natural, à qual quase já não estava habituado.
Porque Portugal, que a tinha desde a mais remota aldeia, a tem deixado esvair-se a pouco e pouco. É bom e bonito voltar a reencontrar esse calor.
Foi muito bom festejar aquela vitória com eles, mexicanos, como se eu daqui fosse, sentindo “quase” a mesma alegria na pele.
Claro que, se Portugal continuasse nesta corrida Copa, o “quase” não seria escrito.
Mas Ganhar e Perder são a vida a ser vivida.
Sobre isto termino, a recordar a propósito a sequência inicial do filme “Match Point” do Woody Allen.

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From my photo-diaries! What about the relation between Paris, Krishna’s and…a pair of Spanish boots?…

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2013 is on the road for a while now and I could not find my time until today to write even a short new post.

That’s life, that’s this crazy dimension called Time that does not stop, even if photographers have the illusion to have done it for a moment.

But I still want that blog alive and, so,  let’s go for another photo-story.

That one came to me when opening old boxes from my beginning times, and made me smile with the memories about how they “happened”.

It was the 70’s and, as I told you before, I went to Paris for the explained reasons and specially focused in study photography.

I was the only foreign student in my school, speaking a very poor French, with no friends yet, passing the most of my weekends alone, walking around in the city to familiarize with, and my camera as my companion.

I was usually dressed in blue jeans, a leather old jacket and…a pair of Spanish black boots, that I loved.

Well, a sort of informal uniform, completed by the camera on my shoulder. My “style”!…

Remains from that time my addiction to a Lewis pair of jeans.

The contact with the photos shown today confirmed me also the conviction that my photo-work, as for probably the most of photographers, is above all a big diary containing our lives in small pieces inside each photo, goods and bad ones.

During those weekends, alone, I was always looking for something new to visit, discover and that could be interesting for shooting. Also testing myself with manners to how approach people or being introduced somewhere. Difficult thing, a battle to win inside yourself, specially being shy and a lonely guy as I was.

Some days before, in the subway,  Krishna’s people were distributing leaflets to publicize and invite to their cult. I got one.

The next Saturday I decided to go there and ask permission to make some photos.  I had to discuss a moment with the “strange personage” that was the public relations of the place, but I could get the authorisation to enter and use my camera.

I can’t remember no more the kind of story I invented to convince him. Some years latter, working in cinema I had the chance to have an “excellent teacher” about how to enter in places and make photos that looks impossible to approach.

One other day I will talk about that and my best friend from ever “this teacher”!…

So, authorized to go inside of the “temple” the only condition was that…my Spanish boots should remain outside of the “temple space”, in fact a small apartment, somewhere Avenue de la Grande Armée.

I spent four or five hours with them inside this space trying to make myself the most invisible as possible.

I could assist to all the preparations for the ceremonies and the evolution all along those hours, passing from the silence and calm to a progressive growing of chants, prays and drum’s sound until a climax where I was sometimes involved in such a manner that I was obliged to control me for not forget the controls of my camera. I was there as a “reporter” after all.

As I did not knew almost nothing about them everything was a discover to register.

The thing became really spectacular when the chants, prays and drums got louder and louder in such a small place.

For the first time in my life I could feel the power of music, and specially the power of the sound of percussion instruments, making you the effect of a sort of hypnosis drug that almost stops your normal thinking.

With no autofocus cameras yet, people dancing and singing all around, from children to old people, I was trying my best to control light, focus and frame.

I still can remember that, in the middle of all that convulsive ambience, and from time to time, I thought about if my “Spanish boots” were still there waiting for me when coming outside or simply have been stolen!…

And that because, the mix of people inside was so different, with some looking very kind and peaceful, when others had faces like guys that could have been released recently from some prison.

At the end everything passed with no problems at all and I even could have lunch with them, eating an absolutely “terrible” vegetarian meal that I took with always a smile in my face, as if I was in one “gourmet Parisian restaurant”.

And…finally, going outside, my beautiful Spanish boots were still waiting for me, ready for some more miles of walk in Paris streets.

It was really good to be again in those streets, breath a bit of fresh air, to ear the “possible” silence of Paris avenues.

Of course, arriving to my small room, lab corner installed, I started immediately to develop the films, anxious about to see what was inside.

Black and white film as almost always at that time, on my “trusty” KODAK TRI – X pushed to 1600 ISO.

Surprise! Some photos were not so bad and just a few out of focus.

I think I felt happy that evening dreaming that, maybe, I could become a photographer one day.

 

Those are simple scans from the paper prints made at that time, with all the defects of a “printer beginner”… A lot still to learn about the magic of interpret a photo when printing.

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Find your Balance – Make 2013 a Masterpiece in your life

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Lot’s of projects for posts still remains only “as projects”!

The year 2012 passed too slowly sometimes, but now, ending, is simply running too fast. Nothing that I can do against that!…

Time, that “dimension” that always obsessed me, keeps moving on.

Anyway, and fighting a little more with it, I told to myself that I was not finishing the year without one more post, even short, in my Blog.

Finally just a small message to your New Year. To mine too.

A short story also, as usual, to explain the context of the photos below, to explain the “why” of the message.

The title for it just came into my mind during this crazy photo session.

The photos I show here is a very small approach of the session we did, two nights ago, me, my son Pedro, great photographer and director, and a good friend of him, now mine also, Pedro Moreno (Pato), designer, publicity director, and painter.

More then 500 photos, a great dinner, hours of talk about what life means and can give you, crazy stories, some bottles of wine, good wine, lots of laugh and fun, bed finally, at seven in the morning.

I really love these guys.

And, as the result, I let you my message for your 2013 resumed in three photos.

The “Balance”, you easily understand where I got the idea through the orange level tool.

The “Masterpiece”, is just because trying to find the “balance” with the two glasses of wine on the level tool, I BROKE ONE, splashing it on the ground of my studio.

Easy to be a creative!…

I took my Iphone, made a picture, used the app Shakeit Photo, and decided this was my last “masterpiece from 2012”.

For me it is!

Latter on, when seeing that photo, I will remember the entire story contained in it.

All the fun we had, all the plans we did, everything we talked about, resumed by a “clic” in this “beautiful” stain of red…wine!…

It makes the sense that I wanted.

HAPPY NEW YEAR TO ALL OF YOU, My Kids Pedro and Maria, Familly, Friends, Followers, World

So, let’s try for 2013

TO FIND OUR BALANCE

TO PRODUCE A MASTERPIECE

Keep shooting! Cheers!…

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THE MASTERPIECE

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