A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação…

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Final de tarde.

Lá fora chove de novo. É sempre assim na Cidade do México, como uma rotina.
Estamos no Verão. As estações do ano são como as nossas em datas, mas não em clima.
Agora deve estar muito calor em Portugal. Por cá faz fresco, não frio.
De manhã, com sorte, o sol aparece, pela tarde o céu torna-se enevoado, pesado, escuro, e com a chegada da noite é praticamente garantido que chove.
O meu “sombrero” torna-se então precioso.
Estive a tomar notas para “posts”a escrever sobre o “desde que cheguei”, sobre as intersecções com o nosso Portugal.
São já muitas as notas. Decido que o melhor é mesmo não me preocupar em dar-lhes uma sequência temporal. Vão saindo conforme a escrita me apetecer.
Agarro numa e sai-me como título as palavras de uma canção do Sérgio Godinho.
Nem todos a conhecerão, mas faz parte do que foram os inícios e memórias do “Portugal Novo”.

Pego apenas na última palavra – Educação.

Não nos diversos sentidos que lhe poderemos atribuir, apenas na “educação cívica”, aquela que nos faz relacionar e interagir com os outros.

Aqui, entro nas minhas primeiras impressões sobre o México, nas primeiras horas, nas inevitáveis comparações com o que ficou para trás, escrevendo um pouco mais sobre algo que já abordava no post anterior.
Das outras palavras deste título, desta canção, escreverei mais tarde.
Todas estão em curso por aqui, para todas este pais trabalha e tenta torná-las numa realidade consolidada.
Mas, a educação, a “cívica”, essa foi uma surpresa, uma constatação imediata, confirmada todos os dias.
Não acredito que a ensinem nas escolas, num pais em que a escolaridade mínima ainda não consegue ser obrigatória.
Está arreigada neste povo por algum motivo que desconheço ainda, vem muito detrás, não se perdeu, e encontra-se em qualquer classe social.
Obviamente há excepções como a qualquer regra.
Sentimo-la na rua quando pedimos uma informação, nos restaurantes e bares, nas lojas ou outros serviços pela forma como somos atendidos, nos transportes públicos onde é frequentíssimo um tipo levantar-se para ceder o lugar a uma mulher. Seguiria em exemplos.
Tudo isto num teatro de rostos sérios, automático e natural.
Porque os mexicanos não têm a extroversão dos brasileiros, por exemplo.
Tudo isto também, servido por um idioma comum a uma imensidão de territórios nesta grande América do Sul, mas em que eles, mexicanos, têm a sua forma particular de o falar, usando expressões que nos fazem sentir bem, como gente, que estão atentos a nós e ao que precisamos, e não esquecidos a fazer sinais para chamar um empregado que insiste em não nos ver.

A frase “must” é, absolutamente, “Con respeto!”, como preâmbulo a qualquer pergunta mais particular.

Mas há imensas para para nos fazer sentir bem: “Me llamo Natalie, para servirles”!, “Que les vaya bien”!, “Un gusto conocer usted”!, “Muy amable”!, “Ahorita mismo”!, “Mi amor”!, “Mi vida”!, … um sem fim.

Adoram os diminutivos como nós, e usam-nos a todo o momento como uma delicadeza no trato.
A somar a estas de uso verbal, as muitas que constam de avisos, de chamadas de atenção, ou simplesmente para vender, melhor dizendo, para motivar a comprar.
Ao escrever isto, ao senti-lo na pele do quotidiano, salta-me o imenso desejo de que o meu país, que já teve “isto”, à sua maneira, o reencontre.
Porque me vem à memória, àquela de que não gosto, o meu último Café em Aveiro, onde ia quase diariamente durante dois anos, e em que cada dia, era como se fosse o primeiro em que lá entrava, em que, mesmo, e apenas, um bom-dia, boa-tarde, ou obrigado, custavam a sair entre dono e empregados. E porquê!?

Acredito, apesar de tudo, sempre, que estamos numa mudança, que um pais não se reconstrói de repente, que vamos reencontrar-nos com os nossos valores bons, que vou ter tempo para assistir ao consolidar dessa mudança.
Porque, como eu, há muitos a desejá-la, há muitos a acreditar no futuro.

E agora?… que fotos vou inventar para ilustrar este escrito!?

Até já.

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